Tuesday, January 12, 2010

Anima

No âmago de ti há um grito que se solta repetidamente.
E repetidamente retorna ao âmago de ti.
Ele quer alarmar os olhos doentes que fazem pensar no que se viu.
Mas não te alarmes muito.
Tu és leve, embora enclausurada num corpo cansado.
Se ao menos os olhos não vissem, a tua leveza não seria afectada pela gravidade de um núcleo de emoções antigas cunhadas em imagens.
É por isso que o teu carcereiro, esse corpo cansado, deve abrir os sentidos para o mundo misterioso, infinitamente maior do que aquele onde vivia e que agora se torna áspero à memória.
Existe um admirável mundo novo em redor.
Vão.

1 comment:

Fernanda Paixão said...

Incrível. É de autoria sua?